As inscrições de propostas de trabalho para apresentação nos Simpósios Temáticos estão abertas de 15 de abril a 16 de maio. Os Simpósios ocorrerão presencialmente no dia 2 de junho, com sessões de até 20 minutos por apresentação.
Para submeter sua proposta, é necessário preencher o formulário eletrônico com as seguintes informações: nome completo, instituição de vínculo, nível de formação, link do currículo Lattes, escolha de primeira e segunda opção de Simpósio Temático, título do trabalho, resumo (cerca de 20 linhas) e bibliografia orientadora (3 livros ou artigos).
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ST 1 Contra-hegemonias, dissidências e ações coletivas: reflexões para a história escrita e ensinada
Flávia Pereira Machado
Rafael Gonçalves Borges
No cenário pós-Segunda Guerra Mundial se configurou um contexto de crise paradigmática da ciência moderna e do pensamento cartesiano, vinculado por um lado aos impactos negativos do “progresso científico”, por outro à emergência de sujeitos diversos e mobilizações sociais reivindicatórias do reconhecimento de suas existências, agências e direitos. No campo da História, houve o questionamento dos epistemicídios e historicídios dos sujeitos nas linhas historiográficas hegemônicas, demandando a necessidade de uma escrita e ensino da história em superação aos apagamentos das narrativas de indígenas, negros/as, mulheres, LGBTQI+, camponesas/es, sujeitos periféricos, entre outros. Diante dessas considerações, a proposta do ST visa agregar experiências de pesquisas e propostas pedagógicas no campo da História e do Ensino de História que considerem essas múltiplas narrativas e que tragam reflexões sobre o campo epistemológico e teórico da História e do seu Ensino em superação às perspectivas hegemônicas, incorporando novos objetos, sujeitos e fontes para a história escrita e ensinada.
Bibliografia de referência:
BIDIMA, Jean-Godefroy. Da travessia: contar experiências, partilhar os sentidos. De la traversée: raconter des expériences, partager le sens. Rue Descartes, 2002/2, n.36, p. 7-17. Tradução para uso didático por Gabriel Silveira de Andrade Antunes. Disponível em: https://filosofia-africana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/jean-godefroy_bidima_-_da_travessia._contar_experi%C3%AAncias_partilhar_o_sentido.pdf.
CUSICANQUI, Silvia Rivera. Ch’ixinakax utxiwa: uma reflexão sobre práticas e discursos descolonizadores. São Paulo: N1-Edições, 2021.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, 2008. Disponível em: https://professor.ufop.br/sites/default/files/tatiana/files/desobediencia_epistemica_mignolo.pdf.
NASCIMENTO, Beatriz. Uma história feita por mãos negras. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.
SMITH, Linda T. Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas. Curitiba: UFPR, 2018.
VEIGA, Ana Maria. Quando Clio é preta, pobre e periférica: relocalizando a teoria da história. In: COSTA, Bruno Balbino Aires da. SANTOS, Evandro. VASCONCELOS, Eduardo Henrique Barbosa de (orgs.). Ensaios de teoria da história & história da historiografia. Teresina: Cancioneiro, 2023, p. 19-32 (e-book).
ZE BELINGA, Martial. Descolonizar a história: epistemologia disruptiva. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar, v. 10, n. 3, set.- dez. 2020, pp. 1045-1066. Disponível em: https://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/view/1021/pdf.
ST 2 Experiências, Subjetividades e trajetórias de mulheres em suas resistências históricas
Débora de Faria Maia
A partir da década de 1970, a História passou por importantes revisões que ampliaram suas fontes e métodos de análise. Nesse contexto, consolidou-se a História das Mulheres como um campo relevante de investigação, impulsionado pela influência da História Cultural. Essa abordagem possibilitou repensar os significados construídos e compartilhados por homens e mulheres na interpretação do mundo, considerando que tais sentidos se expressam em imagens, objetos e práticas sociais. Além disso, a incorporação de novas fontes, como fotografias e obras literárias, contribuiu para o surgimento de novos temas de estudo, incluindo a família, a infância, o cotidiano e as experiências de pessoas comuns, com destaque para a presença e atuação das mulheres na sociedade. Fazer uma História das Mulheres consiste em rever conceitos e métodos, observando suas ações em diferentes contextos, com o objetivo de incluí-las como sujeitos históricos e conferir-lhes dizibilidade e inteligibilidade histórica. Situá-las em suas posições sociais e evidenciar suas resistências e (re)existências permite-nos a reformulação da historiografia tradicional, que as excluía como produtoras de conhecimento. Este Simpósio Temático busca promover o debate e a socialização de pesquisas que tenham como foco as narrativas produzidas e protagonizadas por mulheres, seja no âmbito público, político e social — considerando suas trajetórias e demarcações históricas —, seja como produtoras de subjetividades no campo da cultura e da intelectualidade, cujos objetos de pesquisa sejam de autoria feminina.
Bibliografia de referência:
BRITTO, Célia Coutinho Seixo de. A mulher, a história e Goiás. 2. ed. Goiânia: UNIGRAF, 1982.
MUZART, Zahidé. Escritoras brasileiras do século XIX. Florianópolis: EDUNISC, 2000. v. 1.
PERROT, Michelle. As mulheres ou os silêncios da História. Bauru (SP): EDUSC, 2005.
PINTO, Céli Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.
RAGO, Margareth. A aventura de contar-se: feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade. Campinas: UNICAMP, 2013.
MUNIZ, Diva do Couto. Sobre História e Historiografia das Mulheres. Caderno Espaço Feminino. Uberlândia (MG), p. 147-166, 2018.
RAGO, Margareth. Feminizar é preciso: por uma cultura filógina. Revista São Paulo em Perspectiva. 2001.
ST 3 Teoria e história da historiografia: caminhos do fazer história no Brasil
Fabiane Costa Oliveira
O Simpósio Temático “Teoria e história da historiografia: caminhos do fazer história no Brasil” propõe-se a reunir pesquisadoras e pesquisadores interessados na reflexão crítica em torno da constituição, dos fundamentos e das transformações da historiografia brasileira, entendida tanto como prática intelectual quanto como campo disciplinar historicamente situado. Parte-se do pressuposto de que a escrita da história no Brasil não pode ser dissociada dos contextos sociais, políticos, culturais e institucionais que conformaram seus objetos, métodos, linguagens e regimes de verdade. Nesse sentido, o simpósio busca privilegiar investigações que abordem os processos de disciplinarização e profissionalização do saber histórico, bem como os mecanismos de canonização e legitimação que contribuíram para a definição de tradições historiográficas, autores de referência e agendas de pesquisa. Interessa, igualmente, compreender como tais processos se articularam às dinâmicas mais amplas da história intelectual brasileira, às instituições de ensino e pesquisa — como universidades, institutos históricos e associações científicas — e às disputas em torno da autoridade para produção de sentidos sobre o passado. O simpósio acolhe trabalhos que problematizem a historicidade da produção historiográfica no Brasil, considerando diferentes perspectivas teórico-metodológicas e suas inflexões ao longo do tempo, bem como análises sobre conceitos, categorias e práticas de escrita da história. Também são bem-vindas contribuições que explorem tensões e deslocamentos no campo historiográfico, críticas aos cânones estabelecidos e reconfigurações dos modos de produção do conhecimento histórico. Ao promover esse espaço de diálogo, o simpósio visa contribuir para o aprofundamento das discussões sobre os caminhos do fazer história no Brasil, incentivando abordagens que articulem teoria, historiografia e reflexão crítica sobre o ofício do historiador e suas implicações no presente.
Bibliografia de referência:
CERTEAU, Michel de. A Escrita da História. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982.
DIEHL, Astor A. A cultura historiográfica brasileira: década de 1930 aos anos 1970.
Passo Fundo: Ed.UPF, 1999.
MALERBA, Jurandir. A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.
ST 4 Relações Étnico-raciais no Ensino de História: epistemologias, práticas pedagógicas e disputas de narrativas
Márcia Santos Severino
Patricia Maria Jesus da Silva
Roger dos Anjos de Sá
O ensino de História no Brasil tem sido atravessado, de forma cada vez mais explícita, pelas discussões sobre relações étnico-raciais, especialmente após a promulgação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Essas legislações não apenas ampliaram o escopo dos conteúdos escolares, mas também tensionaram as epistemologias históricas tradicionais, exigindo a revisão de narrativas eurocêntricas, a valorização de sujeitos historicamente silenciados e a incorporação de novas fontes, metodologias e perspectivas interpretativas. Nesse contexto, o estudo das relações étnico-raciais no ensino de História ultrapassa a dimensão curricular e assume um papel político e pedagógico fundamental na construção de uma educação antirracista. Tal perspectiva implica refletir sobre práticas docentes, materiais didáticos, formação inicial e continuada de professores, bem como sobre as disputas em torno da memória, da identidade e do passado no espaço escolar e para além dele. O simpósio propõe-se a reunir pesquisas, relatos de experiência e reflexões teóricas que discutam como as relações étnico-raciais têm sido abordadas no ensino de História, considerando diferentes níveis de ensino, contextos educacionais e interfaces com a história pública, a educação patrimonial e as culturas digitais. Busca-se, assim, fomentar o diálogo entre pesquisadores/as e professores/as comprometidos/as com a transformação das práticas de ensino e com a promoção da justiça racial no campo educacional.
Bibliografia de referência:
GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo amefricano. Revista Isis Internacional, Santiago, v. 8, p. 133-141, 1988.
MOURA, Clóvis. As injustiças de Clio: o negro na historiografia brasileira. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Dandara, 2025.
ST 5 Mundos ibéricos no medievo e na modernidade: sociedades, política, cultura e poderes
André Costa Aciole da Silva
José Alves de Oliveira Junior
Paulo Miguel Moreira da Fonseca
A ampliação epistemológica promovida a partir da famosa coleção “História: novos problemas, novos objetos, novas abordagens”, dirigida por Jacques Le Goof e Pierre Nora, possibilitou tanto a ampliação das formas, métodos e referenciais teórico-metodológicos quanto uma revisão de temas clássicos como as relações entre classes, os modos de organização do mundo do trabalho, as disputas políticas e as formas de agir, pensar e se relacionar com o outro, com a natureza e com o sobrenatural. No que se refere à revisão da historiografia moderna e colonial brasileira que tomou corpo a partir dos anos 1990, espera-se que essa atividade congregue reflexões fundamentadas na compreensão de uma História Política renovada, a partir da superação do paradigma nacionalista e do aprofundamento do conceito de Política para além das discussões do Estado e da nação anacronicamente atribuídas ao período moderno. Feitas essas considerações, propomos que esse simpósio temático agregue pesquisadores e pesquisas desenvolvidas (e em andamento) que abordem os mais variados temas e perspectivas que tenham como recorte espacial a Península Ibérica no medievo (e suas conexões globais) quanto os impérios ultramarinos ibéricos da modernidade. Assim, pensando na ampliação do escopo de problemas, objetos e abordagens e na compreensão de uma História Política renovada, esperamos que essa mesa discuta temas de diferentes campos, como: pensamento e manifestações políticas; fenômenos culturais; mundo do trabalho; organização e hierarquização social; ciências e técnicas; trajetórias coletivas e individuais; circulação de letras e ideias; entre outras.
Bibliografia de referência:
FRAGOSO, João; GOUVÊA, Maria de Fátima. (org.) O Brasil Colonial. 3 vol. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.
FRAGOSO, João; BICALHO, Maria Fernanda; GOUVÊA, Maria de Fátima. (org.) Antigo Regime nos trópicos: a dinâmica imperial portuguesa (séculos XVI-XVIII). Rio de Janeiro, 2010.
HANSEN, João Adolfo. Agudezas Seiscentistas e outros ensaios. Cilaine Alves Cunha; Mayra Laudanna (org.).1a edição.São Paulo: Edusp, 2019.
LE GOFF, Jacques. Para uma outra Idade Média: tempo, trabalho e cultura no Ocidente. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. 534p.
LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. (Org.). História: Novos Problemas, Novas Abordagens, Novos Objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. v. 3.
ST 6 História e Trabalho: movimento de trabalhadores e trabalhadores em movimento.
Yangley Adriano Marinho
A proposta do ST, como indicado no título, é discutir pesquisas (já concluídas, em andamento, ou mesmo em fase de projeto) acerca de movimentos de trabalhadores/as e, principalmente que tratem de trabalhadores/as se movimentando e se constituindo em meio aos limites e pressões impostos pelas estruturas. Seja no campo ou na cidade e em diversas temporalidades. Nesse sentido, nos interessa pensar as lutas, resistências e negociações, vinculadas ou não a sindicatos e movimentos sociais, por considerarmos a categoria trabalho como central para os processos de identificação de homens e mulheres, principalmente das camadas populares. São bem-vindas pesquisas e propostas de investigação, cuja centralidade esteja nas questões de classe, mas também nos modos como homens e mulheres são atravessados por outros marcadores, quais sejam os de raça e de gênero e que acabam por impactar na maneira a partir da qual as condições de classe são experimentadas.
Bibliografia de referência:
CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da belle époque. 2. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011.
REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
THOMPSON, Edward Palmer. A formação da classe operária inglesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 3 v.
THOMPSON, Edward Palmer. Algumas observações sobre classe e “falsa consciência”. In: SILVA, Sergio; NEGRO, Antonio Luigi (Org.). As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. 2. ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2012. p. 269-286.
