O grupo Passarinhos do Cerrado animou a noite de abertura

Culturas negras são celebradas na abertura do encontro do IFG

A força, a capacidade de luta e de resistência, a alegria e a beleza do negro foram ressaltadas na noite de ontem, durante a abertura do 2º Encontro de Culturas Negras do Instituto Federal de Goiás (IFG), realizada no Câmpus Uruaçu. O papel que a Instituição tem assumido ao colocar a questão da diversidade étnico-racial brasileira também foi destacado na noite que terminou com uma grande festa, comandada pelo grupo goiano Passarinhos do Cerrado, que resgata a cultura tradicional e empolga o público com as canções do coco de congada.

Autoridades institucionais, municipais e estaduais prestigiaram a abertura oficial do evento. O reitor em exercício do IFG, professor Adelino Candido Pimenta, disse esperar que o encontro sirva para “fomentar a paz e a harmonia na diversidade”. Ele anunciou que na próxima reunião do Conselho Superior será analisado o Regulamento da Comissão Permanente de Promoção da Igualdade Racial do IFG, elaborado pela Comissão Provisória que foi lançada no 1º encontro, há um ano. Adelino justificou a ausência do reitor do IFG, professor Jerônimo Rodrigues da Silva, que está se recuperando de uma cirurgia cardíaca e passa bem.

O pró-reitor de Extensão, professor Sandro Di Lima, responsável pela organização do encontro, afirmou que o diálogo sobre diversidade estabelecido entre o IFG e a sociedade não é somente episódico, porque faz parte de uma agenda que coloca na esfera pública temas necessários, como o combate ao racismo e o respeito às diferenças.

Segundo o pró-reitor, “é impossível falar da identidade do povo brasileiro sem falar da identidade do negro”. Ele reforçou o papel institucional no debate público, dizendo que a educação é um processo que ocorre por dentro e que o IFG é uma instituição que trabalha permanentemente a autonomia de seus alunos.

Canto

A importância da celebração da cultura negra e da realização do evento em Uruaçu foram os destaques dos pronunciamentos do diretor-geral do câmpus, professor Leone Borges Evangelista, e da professora Ádria Borges, presidente da Comissão Provisória da Promoção da Igualdade Racial do IFG. Leone lembrou também que a sociedade brasileira aprendeu com a elite branca a não reconhecer a cultura negra. Ádria falou da necessidade de atenção permanente no cotidiano de violência que ainda enfrentamos e conclamou o IFG a se denegrir. “Denegrir não é negativo; é enegrecer”, esclareceu.

A solenidade de abertura do 2º Encontro de Culturas Negras do IFG contou também com a participação de Domingas de Carvalho,  presidente da Comunidade Quilombola João Borges Vieira, de Uruaçu. Ela lembrou Zumbi dos Palmares, que morreu lutando pela liberdade dos negros, e as conquistas dos últimos anos, como o reconhecimento por parte do Estado das comunidades quilombolas. Falou da alegria do povo negro, que se manifesta nos gestos, na dança e no canto e terminou cantando uma estrofe de uma música tradicional quilombola, emocionando a plateia.

A abertura oficial foi precedida de atividades acadêmicas e culturais durante todo o dia de ontem.De manhã, ocorreu a mostra de cinema afro, com a exibição do filme Branco sai, preto fica. À tarde, foi realizada a roda de conversa Mulheres negras em Goiás e 13 oficinas, além da apresentação da peça teatral O cabra que matou as cabras e de grupos de dança.

Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.

Fonte: https://w2.ifg.edu.br/index.php/component/content/article/1-news/89846