Educadores discutiram o combate ao racismo na escola
Construir no Brasil uma educação antirracista não é nem pode ser uma tarefa para alguns professores negros; tem de ser uma responsabilidade de toda escola. Esta foi uma das conclusões da mesa de diálogos Educação e antirracismo no horizonte da Lei nº 10.639/2003, realizada na manhã de hoje, 27, dentro da programação do 2º Encontro de Culturas Negras do Instituto Federal de Goiás (IFG).
Participaram da mesa de diálogos os professores Euzébio Carvalho e Edson Arantes, da Universidade Estadual de Goiás, Luís Claúdio de Oliveira, da UniRio, e Roseane Ramos, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego). Eles foram unânimes em afirmar o papel da educação no combate ao racismo existente no Brasil e em elogiar o Encontro de Culturas Negras promovido pelo IFG.
Roseane Ramos enfatizou que é preciso incluir o combate ao racismo nos projetos pedagógicos das escolas e também modificar os currículos, porque eles são sinônimos de poder. Segundo ela, esse tema tem de ser tratado todos os dias nas escolas – e não apenas no 13 de maio e no 20 de novembro –, porque o racismo não escolhe dia para acontecer. “Na educação, quem não está combatendo o racismo, não está cumprindo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação)”, afirmou.
O professor Luís Cláudio de Oliveira disse que educação e antirracismo têm de andar de braços dados. Segundo ele, qualquer política educacional não pode prescindir dessa reflexão e de ações no espaço educacional. “Nossa utopia é que os currículos escolares sofram as modificações necessárias para que as escolas sejam um espaço verdadeiramente democrático”, confessou.
Antes dele, o professor Euzébio Carvalho tratou da necessidade de se construir um sentimento de pertencimento racial e de se valorizar a imagem do negro no Brasil. Já o professor Edson Arantes fez uma ligação entre combate ao racismo e reconhecimento das religiões de matrizes africanas. Segundo ele, a espiritualidade africana é vista, no Brasil, como demoníaca, por isso as religiões de matrizes africanas sofrem violências.
Para o professor, não é possível combater o racismo sem enfrentar a questão da religiosidade. Segundo ele, no passado foi importante o sincretismo religioso, mas atualmente é preciso entender a religiosidade de matriz africana a partir de seus próprios conceitos, que estão muito associados à natureza.
Batalha
A manhã de hoje também teve programação cultural. Uma batalha de MCs animou o público, formado principalmente de jovens. Com muita criatividade, os MCs criaram raps abordando o racismo, a homofobia e a corrupção, temas escolhidos pelo público.

Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.
Fonte: https://w2.ifg.edu.br/index.php/component/content/article/1-news/89849


