O professor Alex Ratts, da Universidade Federal de Goiás, fez a conferência de abertura do 2º Encontro de Culturas Negras do IFG, ontem à noite, abordando o tema da afro-perspectiva e educação no Brasil. Ele historiou a luta dos negros pela inclusão social e os avanços ocorridos nas últimas décadas. Ratts foi enfático ao afirmar que o Brasil é diverso, com uma população formada por europeus, asiáticos, africanos e índios, mas que metade da população é negra.
Segundo ele, desde 1929, quando ocorreu o congresso da mocidade negra, já se falava que o Brasil precisava de cuidar da educação dos jovens negros. “Isso significa que estamos atrasados? Não. Mas antes de nós, alguém já tinha essa batalha”, comentou.
Os avanços, disse Ratts, começaram a surgir a partir da década de 1970, com o reconhecimento das identidades e culturas negras e da existência do racismo e com o crescimento do movimento negro. Mas algumas garantias legais só vieram com a chegada do século 21. Ele citou a Lei 10.639, de 2003, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para tornar obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileiras e sobre a história da África e dos africanos, sobre a luta dos negros no Brasil e a cultura negra, no ensino fundamental e médio.
Cotas
Citou também a Lei 12.711/2012, que estabeleceu cotas para o ingresso nas instituições educacionais públicas, no ensino médio e superior. A lei fixa que 50% das vagas ofertadas devem ser destinadas a estudantes oriundos das escolas públicas e que, desta metade, 50% devem ser destinadas a alunos de baixa renda e os outros 50% a alunos negros, pardos ou indígenas.
Alex Ratts disse que o debate público sobre as cotas já se encerrou e que estamos na fase de implementação das cotas. “Ninguém precisa mais discutir com quem é contra a política de cotas; precisamos discutir como operacionalizá-la”, afirmou.
Ele falou ainda sobre as diferenças e o reconhecimento de identidades no Brasil. “Existem no Brasil marcadores da diferença, que são étnicos, raciais e sexuais, mas eu sou contra estes marcadores”, afirmou. Segundo ele, a diferença que realmente conta e para a qual devemos nos voltar é a política e social.
Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.
Fonte: https://w2.ifg.edu.br/index.php/component/content/article/1-news/89847


