Organizar os Jogos das Instituições Federais (JIF) é uma tarefa que começa muito antes de os atletas entrarem na quadra, no campo, na pista, na sala, na arena ou na piscina. Regulamentos, modalidades, inscrições, logística, infraestrutura, arbitragem, segurança e saúde são algumas das frentes que precisam ser articuladas para que a competição aconteça.
À frente desse trabalho, a Coordenação dos Jogos das Instituições Federais (COJIF) atua em conjunto com as representações regionais e com a instituição responsável pela sede, em um esforço que envolve planejamento, execução e avaliação. Mas, para o professor Elber Ribeiro Gama, presidente da COJIF, a dimensão esportiva é apenas parte do que os Jogos representam.
Em entrevista para a segunda matéria da série que antecede os JIF 2026, ele fala sobre o papel do esporte como instrumento de formação e destaca experiências como a convivência, a cooperação, o respeito às diferenças e a integração entre estudantes e servidores de diferentes instituições e regiões do país.
CONIF: Como funciona o trabalho da COJIF antes e durante os Jogos? Quais são as principais etapas dessa organização?
Elber: O trabalho da COJIF começa muito antes de o primeiro atleta entrar em quadra, em campo, em pista, em sala, em arena ou na piscina. Existe uma etapa intensa de planejamento, construção e atualização dos regulamentos, diálogo com as representações regionais, definição de procedimentos, articulação com a instituição-sede, organização das modalidades, inscrições, logística, infraestrutura, comunicação, saúde, arbitragem, segurança e avaliação.
Depois vem a etapa de execução, quando todas essas engrenagens precisam funcionar simultaneamente. E há ainda uma terceira dimensão, que considero fundamental: a avaliação e o aprendizado institucional. Não queremos simplesmente realizar uma edição dos JIF e encerrar o evento. Precisamos aprender com cada edição para aperfeiçoar a política de esporte, lazer e formação da Rede Federal. Portanto, a COJIF não trabalha apenas para o próximo jogo. Trabalha para construir o próximo capítulo da política esportiva e educacional da Rede.
CONIF: Como a COJIF atua nos Jogos?
Elber: Durante a operacionalização dos Jogos, a COJIF atua descentralizadamente em frentes simultâneas: direção e coordenações técnico-esportivas, Coordenação do PARAJIF, secretaria, comissão disciplinar e coordenações de modalidades. Soma-se a esse esforço o trabalho hercúleo e de extrema relevância da comissão organizadora local, abarcando administração, planejamento das contratações, infraestrutura, logística, suprimentos, alimentação, transporte e saúde, numa ação conjunta de governança e gestão de riscos.
CONIF: Os JIF envolvem muito mais do que a competição esportiva. Como aspectos como convivência, inclusão, diversidade e formação dos estudantes entram no planejamento dos Jogos?
Elber: Esse é, para mim, o coração dos JIF. A competição é o instrumento; a formação é a finalidade maior. O estudante aprende a ganhar, mas também aprende a perder. Aprende a competir, mas aprende também a cooperar. Aprende a defender seu time, mas precisa respeitar o adversário. Aprende a buscar excelência, mas compreende que existem regras, limites, responsabilidades e consequências. Cultua valores sociais, morais e éticos.
É aí que aparecem os chamados atributos da área afetiva: respeito, disciplina, autocontrole, resiliência, empatia, responsabilidade, liderança, solidariedade, capacidade de trabalhar em equipe e respeito às diferenças. Tudo isso é formação. O regulamento preconiza que os Jogos valorizem a colaboração, a cooperação, os valores morais e sociais, a pluralidade cultural, o respeito à identidade, à individualidade e ao coletivo.
E há uma dimensão ainda mais importante: os JIF trabalham com a formação omnilateral, porque reconhecem que não basta formar apenas a dimensão intelectual ou profissional do estudante. É preciso formar o ser humano em suas múltiplas dimensões: intelectual, física, afetiva, social, cultural e ética. Essa concepção dialoga profundamente com a própria identidade da nossa Rede Federal, cuja missão legal está associada à formação e qualificação de cidadãos e à integração entre educação, trabalho, ciência, tecnologia e desenvolvimento social.
CONIF: Que papel os Jogos desempenham na integração entre estudantes e servidores de diferentes instituições e regiões do país?
Elber: Os JIF são talvez uma das maiores experiências de integração da Rede Federal.
Imagine um estudante do Norte encontrando um estudante do Sul, alguém do Nordeste conhecendo alguém do Centro-Oeste, estudantes de realidades sociais e culturais completamente diferentes compartilhando uma quadra, uma arquibancada, um alojamento, uma refeição ou simplesmente uma conversa. É uma experiência que dificilmente caberia em uma sala de aula.
E essa integração não acontece apenas entre estudantes. Ela envolve professores, técnicos administrativos, dirigentes e colaboradores de diferentes instituições. Os Jogos criam aquilo que hoje chamamos de network, mas eu gosto de pensar em algo ainda maior: criam vínculos humanos e institucionais. Muitos contatos estabelecidos durante os JIF permanecem depois que as medalhas são guardadas. Surgem amizades, parcerias, intercâmbios, projetos, colaboração profissional e novas possibilidades.
O regulamento expressamente estabelece como objetivo a integração entre discentes, docentes e técnicos administrativos da Rede Federal e a sociedade, além da vivência da pluralidade cultural.
CONIF: O que você acredita que diferencia os JIF de outras competições esportivas estudantis?
Elber: A grande diferença é que os JIF não são simplesmente um campeonato. São uma política educacional que utiliza o esporte como ferramenta de formação humana.
O regulamento é muito claro ao afirmar que os Jogos estão alicerçados na Política Federal de Educação e nos princípios da democracia, do conhecimento, da educação, do respeito à cidadania e da humanização.
Aqui, o estudante não é apenas um atleta. É um sujeito em formação. A medalha tem valor, evidentemente. O desempenho esportivo é valorizado. A competição é séria. Existem regras, arbitragem, disciplina e busca pela excelência. Mas existe algo que está acima do resultado: a formação do cidadão. E isso tem tudo a ver com a própria razão de existir dos Institutos Federais.
CONIF: Para você, Elber, o que significa fazer parte da organização dos Jogos da Rede Federal?
Elber: É uma honra enorme, mas, sobretudo, é uma grande responsabilidade.
Presidir a COJIF significa representar uma Rede que acredita que educar é muito mais do que transmitir conteúdos. Significa ajudar a construir condições para que nossos estudantes desenvolvam conhecimento, mas também caráter, autonomia, responsabilidade, capacidade de convivência, liderança, solidariedade e respeito.
Significa acreditar na educação pública e compreender que a formação humana acontece em muitos espaços. A sala de aula é fundamental. O laboratório é fundamental. A biblioteca é fundamental. A pesquisa, a extensão e a cultura são fundamentais. E a quadra também é lugar de educação. Quando vejo a dimensão nacional dos JIF, penso na grandeza da Rede Federal. São instituições espalhadas por todo o país, com realidades diferentes, mas unidas por um mesmo compromisso com a educação pública. O regulamento coloca a integração, a cooperação, a pluralidade cultural, o respeito, a cidadania e a humanização no centro dos Jogos. É exatamente isso que desejo ajudar a construir.
Quero que cada estudante que chegar a Goiânia possa voltar para casa levando muito mais do que uma medalha. Que leve uma amizade. Uma experiência. Uma lembrança. Um aprendizado. Um novo horizonte.
Diretoria de Comunicação do Conif
Texto: Marina Oliveira/Conif
Foto: Arquivo Pessoal


