{"id":160,"date":"2017-09-28T13:48:04","date_gmt":"2017-09-28T16:48:04","guid":{"rendered":"http:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2016\/?page_id=160"},"modified":"2017-10-09T12:20:46","modified_gmt":"2017-10-09T15:20:46","slug":"poetica-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/poetica-3\/","title":{"rendered":"p\u00f4!\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-195 alignleft\" src=\"http:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2016\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2017\/09\/thinker.jpg\" alt=\"thinker\" width=\"514\" height=\"385\" \/><\/p>\n<p>O homem outrora celebrou a express\u00e3o humana em dois sentidos evidentes: um da ordem do sublime, do apol\u00edneo, de um ideal de pureza e perfei\u00e7\u00e3o heroicas e talvez encontrado num mundo et\u00e9reo das ideias; outro, da ordem do grotesco, do dionis\u00edaco, da celebra\u00e7\u00e3o das escatologias, do palha\u00e7o, das dores e prazeres da condi\u00e7\u00e3o de carne. Sentidos t\u00e3o opostos quanto complementares.<\/p>\n<p>Em algum momento do nosso percurso, talvez por gan\u00e2ncia, a vida em sociedade quis criar uma hierarquia entre essas duas matrizes de express\u00e3o, como se uma fosse nobre, digna, permitida, e a outra n\u00e3o. N\u00f3s, agora e aqui, nesse momento da hist\u00f3ria, misturamos sublime e grotesco para aumentar mais ainda a confus\u00e3o. Ou melhor, pra celebrar a confus\u00e3o que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o humana. Reivindicamos ser: estranhos, incompletos, diversos, aos que dizem negar ser tudo isso, mas tamb\u00e9m s\u00e3o. Misturamos arte e pol\u00edtica sim, pois talvez assim, ela persiga o bem comum e se torne mais nobre do que \u00e9. Ali\u00e1s, com pouco esfor\u00e7o, visto que sempre estiveram misturadas, borradas, sem limites precisos, sem muros que as separassem.<\/p>\n<p>Queremos saber o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o e o que \u00e9 escol(h)a. Queremos exercitar a capacidade cr\u00edtica para com as rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o da sociedade. Assim, nosso Festival se posiciona criticamente \u00e0s tentativas de controle da proposta de &#8220;Escolas Sem Partido&#8221;, e tamb\u00e9m \u00e0s pr\u00e1ticas homof\u00f3bicas, mis\u00f3ginas e racistas, que t\u00eam se expressado no espa\u00e7o escolar e em toda sociedade. P\u00f4! Fazemos bagun\u00e7a sim! Fazemos da linguagem uma salada, pois queremos saber qual o papel da arte e da pol\u00edtica no Brasil de hoje e como elas se entrela\u00e7am. Fazemos nossa festa voltada para a autonomia dos sujeitos, comprometida com uma ci\u00eancia que atue em favor das coletividades e do bem estar humano e ambiental, por uma arte que seja questionadora.<\/p>\n<p>Saboreamos, n\u00e3o sem indigna\u00e7\u00e3o, um festival de confus\u00e3o de conceitos, dos sentidos, e queremos ter o direito de colocar a t\u00e9cnica, a poesia, a est\u00e9tica em busca da \u00e9tica, em que se misturam e amalgamam o p\u00fablico e o privado, o pol\u00edtico e o subjetivo, a \u00e9tica e a est\u00e9tica, o \u00fanico e o diverso&#8230; P\u00f4! N\u00e3o pedimos muita coisa al\u00e9m do \u00f3bvio. Pedimos raz\u00e3o! Pedimos emo\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Pedimos \u00e9tica,\u00a0<strong>p\u00f4!\u00e9tica<\/strong>!<\/p>\n<h5><strong>Sobre a identidade visual<\/strong><\/h5>\n<p>Idealizador da identidade visual do festival deste ano e de suas \u00faltimas 3 edi\u00e7\u00f5es, o\u00a0professor de artes visuais e designer Alexandre Guimar\u00e3es, do Campus IFG &#8211; Aparecida de Goi\u00e2nia, assim descreve seu processo criativo:<\/p>\n<p><em>Banksy, artista visual brit\u00e2nico, faz do anonimato seu principal marketing pessoal. Poucos j\u00e1 o viram e o mundo inteiro conhece seus stencils (uma modalidade de grafite).<\/em><br \/>\n<em>Inusitado e desafiador, invade espa\u00e7os instituionalizados da arte para fragiliz\u00e1-los e ent\u00e3o desconstruir regimes esc\u00f3picos que definem nossas formas de ver e de sermos vistos.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas seu espa\u00e7o \u00e9 a rua. \u00c9 grafiteiro e, apesar de n\u00e3o enquadrar seu trabalho no conceito naturalizado de Arte, suas \u00abobras\u00bb, ironicamente, tamb\u00e9m fazem parte de um circuito art\u00edstico (galerias exp\u00f5em suas obras).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 contra os direitos autorais. Em seu livro Guerra e Spray (Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2012), sobre a ficha catalogr\u00e1fica da edi\u00e7\u00e3o h\u00e1 a inscri\u00e7\u00e3o: \u00abCopyright \u00e9 para perdedores\u00bb. <\/em><\/p>\n<p><em>No mesmo livro, ele cria um conceito de \u00abbrandalismo\u00bb: qualquer an\u00fancio num espa\u00e7o p\u00fablico que n\u00e3o permite que voc\u00ea escolha se quer v\u00ea-lo ou n\u00e3o \u00e9 seu. Ele lhe pertence. Voc\u00ea pode se apropriar dele, rearrum\u00e1-lo e reutiliz\u00e1-lo. Pedir permiss\u00e3o para isso \u00e9 como perguntar se voc\u00ea pode ficar com a pedra que algu\u00e9m jogou na sua cabe\u00e7a (p. 196).<\/em><\/p>\n<p><em>Banksy consegue desestabilizar dicotomias como bem\/mal, certo\/errado, p\u00fablico\/privado, permitido\/proibido, dentre outras. Suas imagens constituem um sistema visual facilmente identificado pela sua reprodutibilidade descontrolada em todo o mundo. Cobrar direitos de apropria\u00e7\u00e3o de suas imagens em camisetas, pap\u00e9is de parede, canecas, bon\u00e9s, etc., seria desfazer de todo seu discurso subversivo contra um capitalismo invasivo que mata, entristece e espalha a desigualdade e injusti\u00e7a social, como fica demonstrado em seus manifestos visuais, cujos locais de aplica\u00e7\u00e3o s\u00e3o especialmente escolhidos. <\/em><\/p>\n<p><em>A apropria\u00e7\u00e3o das imagens de Banksy \u00e9 desmedida. Ao se fazer uma busca na Interntet por suas imagens, fica dif\u00edcil definir qual \u00e9 a original &#8211; o que, para o artista, seria o menos importante. <\/em><\/p>\n<p><em>As imagens desta busca, dentre outras milhares na rede, serviram-me de refer\u00eancia visual para a cria\u00e7\u00e3o do conjunto gr\u00e1fico para a identidade visual do XIV Festival de Artes de Goi\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p><em>Algumas s\u00e3o reprodu\u00e7\u00e3o dos \u00aboriginais\u00bb e outras fazem parte de um \u00abbanksy style &#8211; estilo banksy\u00bb de desenhar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>A ilustra\u00e7\u00e3o do tema \u00e9 uma reutiliza\u00e7\u00e3o, ou apropria\u00e7\u00e3o, que seja cita\u00e7\u00e3o, das v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es visuais do banksy style. A partir do stencil entitulado The Thinker Monkey, cuja primeira apari\u00e7\u00e3o nos muros das cidades brit\u00e2nicas n\u00e3o se sabe ao certo, fiz a imers\u00e3o da palavra p\u00f4!\u00e9tica, utilizando uma tipografia t\u00edpica de escritas a pinc\u00e9is em muros, de modo que a interfer\u00eancia tipogr\u00e1fica fizesse, originalmente, parte da cria\u00e7\u00e3o de um suposto st\u00eancil &#8211; uma \u00fanica matriz com imagem e palavra para impress\u00e3o sobre a parede.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>O chipanz\u00e9 by banksy \u00e9 uma figura ic\u00f4nica para o universo do grafite e tornou-se decalque, estampa de camisetas e bon\u00e9s, dentre outras aplica\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria da imagem. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>Reutiliz\u00e1-lo \u00e9 uma maneira de experimentar novas rela\u00e7\u00f5es de sentidos entre uma imagem reproduzida e modificada de v\u00e1rias formas, em v\u00e1rios lugares e culturas diferentes, com outra palavra-imagem: a p\u00f4!\u00e9tica.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>A forma densa e preta em contraste com o branco, um jogo de positivo e negativo, pode imprimir em nossa percep\u00e7\u00e3o um impacto visual em que nos convida a trocar de lugar com o personagem: como penso, o que penso e para que\/quem penso?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>As cores preto, branco e vermelho vem da pr\u00f3pria linguagem do stencil, que requer agilidade em sua aplica\u00e7\u00e3o, limitando-se a elementos visuais b\u00e1sicos de composi\u00e7\u00e3o da forma. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>O conjunto, ironicamente, tamb\u00e9m faz um provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9tica na arte, seus usos e apropria\u00e7\u00f5es, os limites dos direitos de cria\u00e7\u00e3o, a \u00e9tica em fun\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica e vice-versa. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><em>Por outro lado, nos coloca num estado de reflex\u00e3o &#8211; uma parada para pensar na nossa pr\u00f3pria natureza e nos limites entre o d\u00f3cil e o bruto: qual o estado contempor\u00e2neo de nossa condi\u00e7\u00e3o humana?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong><em>Prof. Alexandre Guimar\u00e3es<\/em><\/strong><br \/>\nDoutorando em Arte e Cultura Visual<br \/>\nMestre em Cultura Visual<br \/>\nBacharel em Artes Visuais\/Design Gr\u00e1fico<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Confira aqui todo o projeto visual:<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2017\/09\/projeto_festival_2016.pdf\">projeto_festival_2016<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem outrora celebrou a express\u00e3o humana em dois sentidos evidentes: um da ordem do sublime, do apol\u00edneo, de um ideal de pureza e perfei\u00e7\u00e3o heroicas e talvez encontrado num mundo et\u00e9reo das ideias; outro, da ordem do grotesco, do <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/poetica-3\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":68,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"class_list":["post-160","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/160"}],"collection":[{"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":276,"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/160\/revisions\/276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/festival2017\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}