{"id":254,"date":"2015-11-28T08:39:00","date_gmt":"2015-11-28T10:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/culturasnegras\/?p=254"},"modified":"2026-04-22T20:42:13","modified_gmt":"2026-04-22T23:42:13","slug":"o-racismo-e-essencial-para-o-capitalismo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/culturasnegras\/2015\/11\/28\/o-racismo-e-essencial-para-o-capitalismo-no-brasil\/","title":{"rendered":"\u201cO racismo \u00e9 essencial para o capitalismo no Brasil\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Professor Renato criticou a classifica\u00e7\u00e3o de pessoas por caracter\u00edsticas corp\u00f3reas<\/h5>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O racismo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um resqu\u00edcio do passado escravocrata brasileiro. Ele \u00e9 um sistema complexo que articula muitos elementos de um sistema de domina\u00e7\u00e3o e \u00e9 um dado funcional para o nosso modelo de sociedade. O racismo \u00e9, portanto, essencial ao capitalismo. Essas foram assertivas do professor e pesquisador Renato Emerson dos Santos, que proferiu a confer\u00eancia&nbsp;<em>Rela\u00e7\u00f5es raciais no espa\u00e7o urbano no Brasil<\/em>\u201d, ontem \u00e0 noite, dentro da programa\u00e7\u00e3o do 2\u00ba Encontro de Culturas Negras do IFG.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato \u00e9 coordenador do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Geografia, Rela\u00e7\u00f5es Raciais e Movimentos Sociais, da Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Na confer\u00eancia de ontem, surpreendeu ao relacionar racismo e capitalismo, criticando este modo de produ\u00e7\u00e3o que, segundo refor\u00e7ou, est\u00e1 assentado na domina\u00e7\u00e3o e em v\u00e1rias hierarquiza\u00e7\u00f5es, da de classes \u00e0 espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds que deu, em cem anos, um salto econ\u00f4mico incompar\u00e1vel. Passamos de pa\u00eds produtor de caf\u00e9, a\u00e7\u00facar e borracha \u00e0 s\u00e9tima economia do mundo, com ampla capacidade produtiva. Entretanto, continuamos a ter uma das maiores concentra\u00e7\u00f5es de riqueza do planeta\u201d, afirmou. Segundo ele, a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas n\u00e3o se d\u00e1 somente na distribui\u00e7\u00e3o da renda, mas tamb\u00e9m no acesso a bens e servi\u00e7os, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. E esse padr\u00e3o depende da domina\u00e7\u00e3o racial e tamb\u00e9m de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Categorias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Renato enfatizou que as desigualdades raciais est\u00e3o presentes no Brasil e que indiv\u00edduos que desempenham as mesmas fun\u00e7\u00f5es t\u00eam sal\u00e1rios diferenciados. Ele explicou que muitas vezes essa diferen\u00e7a n\u00e3o se d\u00e1 no sal\u00e1rio nominal, mas se d\u00e1 na ascens\u00e3o vertical e na seletividade presente nos postos de trabalho com melhor remunera\u00e7\u00e3o. \u201cIsso acontece at\u00e9 na educa\u00e7\u00e3o. Na escola p\u00fablica h\u00e1 muitos professores negros; nas escolas particulares elitizadas praticamente n\u00e3o h\u00e1\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador falou tamb\u00e9m da natureza do fen\u00f4meno do racismo. Segundo ele, a sociedade brasileira tem em seu processo de forma\u00e7\u00e3o grupos de origens distintas, mas que foram classificados pela categoria ra\u00e7a. \u201cRa\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma categoria natural; \u00e9 social. \u00c9 uma classifica\u00e7\u00e3o formal baseada em diferen\u00e7as corp\u00f3reas que n\u00e3o s\u00e3o significativas\u201d, protestou.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa brincadeira com a plateia, Renato perguntou o que todos achariam se ele defendesse uma teoria de classifica\u00e7\u00e3o dos seres humanos pelo tamanho da orelha. \u201cSoa rid\u00edculo pensar numa classifica\u00e7\u00e3o assim, mas no cotidiano das rela\u00e7\u00f5es sociais, as pessoas se comportam classificando os seres humanos com base na cor da pele ou do tipo de cabelo\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembrou que, no caso do Brasil, h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a com a geografia. Negros s\u00e3o relacionados \u00e0 \u00c1frica; brancos, \u00e0 Europa; \u00edndios, \u00e0s Am\u00e9ricas. \u201cConstru\u00edmos identidades geoculturais, que podem ser questionadas de diferentes formas. A Europa n\u00e3o \u00e9 um continente; imigrantes s\u00edrios n\u00e3o s\u00e3o brancos europeus\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato criticou ainda a academia, por legitimar em muitos campos do saber essa classifica\u00e7\u00e3o baseada no fen\u00f3tipo, que a biologia e a gen\u00e9tica j\u00e1 mostraram ser insuficientes para classifica\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social\/Reitoria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/w2.ifg.edu.br\/index.php\/component\/content\/article\/1-news\/89853\">https:\/\/w2.ifg.edu.br\/index.php\/component\/content\/article\/1-news\/89853<\/a><a href=\"http:\/\/w2.ifg.edu.br\/images\/CNegras\/img_7326.jpg\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Renato criticou a classifica\u00e7\u00e3o de pessoas por caracter\u00edsticas corp\u00f3reas O racismo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um resqu\u00edcio do passado escravocrata brasileiro. 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