Professora Janira apontou avanços na promoção da igualdade racial no Brasil
“O maior problema brasileiro não é a pobreza; é o racismo, porque a pobreza é majoritariamente dos negros”. Com esta afirmação categórica, a professora do Instituto Federal de Goiás (IFG), Janira Sodré Miranda surpreendeu os participantes do 2º Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais, aberto na manhã de hoje, 27, no Memorial Serra da Mesa, em Uruaçu. O seminário faz parte da programação do Encontro de Culturas Negra – Povos do Cerrado, promovido pelo IFG, e se prolonga até sábado.
Janira e a professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Anna Benite, foram as expositoras da mesa-redonda que discutiu a educação para as relações étnico-raciais e o papel da ciência na legitimação do racismo. O debate foi mediado pelo professor Neilson Silva Mendes.
Em sua exposição, Janira – que é da Comissão Provisória de Promoção da Igualdade Racial do IFG – apresentou dados que comprovam a desigualdade social no Brasil em razão da raça e/ou etnia. “Somente 10% da população pobre são brancos”, afirmou.

Anna Benite – do Coletivo Negro do Instituto de Química da UFG e também poetiza– afirmou que a ciência, na história da construção do saber, ajudou a legitimar a invenção do racismo. Segundo ela, na classificação dos seres vivos, feitas no século 18, o branco europeu foi classificado como o ser humano “ativo, inteligente e engenhoso”. “Isso não está em uso, mas ajudou a criar imaginários sociais que perseguimos até hoje”, disse.
Avanços
Além de identificar o racismo presente, inclusive na produção do saber, a mesa-redonda apontou caminhos para a construção da democracia racial: radicalizar a democracia, descolonizar a ciência, promover uma educação antirracista, estabelecer projetos contra-hegemônicos e tratar das relações étnico-raciais nas instituições às quais pertencemos.
Janira enfatizou que é preciso radicalizar a democracia, dando, de fato, direitos iguais a todos os cidadãos. “Em muitos casos, médicos dão apenas 50% da dose necessária de anestesia para as mulheres negras na hora do parto e se alguém disser que eles são racistas, vão dizer que a babá da casa deles é negra e que é como se fosse da família”, denunciou.
Ela lembrou que o fato de estudar para as crianças negras jé é uma ação contra-hegemônica. A educação tem um papel fundamental e nós temos de produzir uma educação transgressora, que venha superar a educação fossilizada nas questões étnico-raciais”, provocou.
Janira também lembrou os avanços ocorridos na última década no Brasil, com a institucionalização da Política de Igualdade Racial, a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a promulgação do Estatuto da Igualdade Racial e a obrigatoriedade do ensino da história da África e cultura afro-brasileira nas escolas.
As exposições das professoras foram intercaladas com apresentações de catira, do Grupo Folclórico Serra da Mesa. O 2º Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais prossegue amanhã, com a mesa-redonda que vai discutir a educação indígena e o ensino de história e culturas indígenas, a partir das 8h30, no Memorial Serra da Mesa. No sábado, haverá comunicações científicas, também a partir das 8h30, mas no Câmpus Uruaçu do IFG.
Diretoria de Comunicação Social/ Reitoria.
Fonte: https://w2.ifg.edu.br/index.php/component/content/article/1-news/89418-mesa-redonda-identifica-racismo


