{"id":221,"date":"2018-02-21T17:06:02","date_gmt":"2018-02-21T20:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/eventos.ifg.edu.br\/7semanadehistoria\/?p=221"},"modified":"2018-02-21T23:43:41","modified_gmt":"2018-02-22T02:43:41","slug":"221","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eventos.ifg.edu.br\/7semanadehistoria\/2018\/02\/21\/221\/","title":{"rendered":"VII Semana da Licenciatura em Hist\u00f3ria do IFG."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<em>N\u00e3o h\u00e1 passado que engendra o historiador. H\u00e1 o historiador que faz nascer a hist\u00f3ria<\/em>.\u201d A c\u00e9lebre senten\u00e7a do historiador franc\u00eas, Lucien Febvre, \u00e9 sintom\u00e1tica ao traduzir o esp\u00edrito que a <em>histor<\/em><em>\u00eda\u00a0 <\/em>(\u1f31\u03c3\u03c4\u03bf\u03c1\u03af\u03b1) assumiu desde a aurora do s\u00e9culo XIX: um conhecimento que (re)produz o passado, ofertando-lhe sentido e compreens\u00e3o. Nesse esfor\u00e7o de atribuir sentido, o historiador se coloca como aquele que expressa uma poss\u00edvel, por\u00e9m criteriosa, verdade. Ao se valer da narrativa, ele enquadra as a\u00e7\u00f5es humanas numa perspectiva temporal que nos permite compreend\u00ea-las em seu <em>devir<\/em>. A fabrica\u00e7\u00e3o (<em>faber<\/em>) do saber hist\u00f3rico j\u00e1 passara pela ruptura da modernidade e a cis\u00e3o com a <em>magistra vitae<\/em>. O s\u00e9culo XX, a seu turno, sepultou a pretens\u00e3o de se chegar a uma verdade metaf\u00edsica, ou suprema, compreendendo que se podem encontrar narrativas constru\u00eddas historicamente e que possuem relev\u00e2ncias distintas. Houve, portanto, uma descentraliza\u00e7\u00e3o do que se entendia por verdade no moderno conceito de hist\u00f3ria, colocando agora a possibilidade da verdade em seu plural, abrindo para m\u00faltiplas significa\u00e7\u00f5es. A hist\u00f3ria-ci\u00eancia passou a se ocupar de narrativas &#8211; tamb\u00e9m em sua forma n\u00e3o singular &#8211; na busca por desnudar verdades produzidas culturalmente, de acordo com par\u00e2metros pr\u00f3prios de cada \u00e9poca-lugar, mas sempre a partir de um rigor metodol\u00f3gico que legitima o of\u00edcio do historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em decorr\u00eancia dessa produ\u00e7\u00e3o de significados, tens\u00f5es, lutas e disputas s\u00e3o geradas no campo das narrativas e de suas m\u00faltiplas perspectivas sobre a(s) verdade(s). Da tentativa de redu\u00e7\u00e3o do of\u00edcio historiogr\u00e1fico a mero discurso lim\u00edtrofe at\u00e9 a disputa inegoci\u00e1vel de lugares de enuncia\u00e7\u00e3o privilegiados &#8211; que descartam o \u201colhar n\u00e3o engajado\u201d &#8211; as verdades se reificam e abrem espa\u00e7o para as disputas acerca do monop\u00f3lio da narrativa-discurso. Um cen\u00e1rio delicado se desvela, justamente porque se abre a possibilidade de supress\u00e3o de direitos e conquistas, mem\u00f3rias e hist\u00f3rias. Se por um lado, novos atores sociais se posicionam reivindicando suas pr\u00f3prias narrativas, por outro, h\u00e1 a tentativa de dilui\u00e7\u00e3o destes significados e processos, obedecendo motiva\u00e7\u00f5es variadas para a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios discursivos. Trata-se de negar a pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria pode ofertar na compreens\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de sentido sobre o passado, simplesmente porque o crit\u00e9rio de verdade pode ser sempre convenientemente colocado em suspenso quando se pretende atender interesses espec\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A <em>VII Semana da Licenciatura em Hist\u00f3ria do IFG<\/em> traz como tema o t\u00edtulo: <strong>\u201cVerdade e Narrativas: Lutas, disputas, direitos\u201d<\/strong>. Consoante com o atual momento pol\u00edtico e cen\u00e1rio epistemol\u00f3gico &#8211; em que discursos disputam vozes e representa\u00e7\u00f5es, e que direitos e conquistas se veem cada vez mais em risco &#8211; o evento pretende convergir historiadores profissionais (e de outras \u00e1reas), estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s, alunos do IFG e comunidade geral. Atrav\u00e9s de palestras, minicursos, mesas-redondas, etc, o encontro pretende oportunizar o debate cr\u00edtico, a exposi\u00e7\u00e3o de perspectivas, a an\u00e1lise de panoramas e a proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que visem \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de direitos e conquistas no campo pol\u00edtico e discursivo, sem esvaziar o pr\u00f3prio questionamento acerca destes significados. Parafraseando a fil\u00f3sofa Hannah Arendt, o desafio do evento n\u00e3o se trata de \u201c(\u2026) <em>explicar fen<\/em><em>\u00f4menos por meio de analogias e generalidades tais que se deixa de sentir o impacto da realidade e o choque da experi<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncia<\/em><em> (\u2026), <\/em>mas, antes, de buscar suas compreens\u00f5es e \u201c(\u2026)<em> encarar a realidade, espont\u00e2nea e atentamente, e resistir a ela \u2013 qualquer que seja, venha a ser ou possa ter sido.&#8221; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Prof. Dr. Diego A. Moraes Carvalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Prof. Dr. Paulo Miguel Moreira da Fonseca<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Prof. Me. Paulo Win\u00edcius Teixeira de Paula<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Prof. Dr. Rafael Goncalves Borges<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 passado que engendra o historiador. 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